O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (4), pela prisão preventiva do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de outros investigados em mais uma fase da operação Compliance Zero. O banqueiro estaria interferindo nas investigações.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, a Polícia Federal identificou um núcleo responsável por ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com a utilização de empresas interpostas, no esquema fraudulento. O núcleo era encarregado de movimentar e esconder recursos usando uma rede de companhias criadas para dissimular operações comerciais e mascarar o verdadeiro destino do dinheiro. Essas empresas tinham uma função específica: dar aparência de legalidade a operações ilegais.
A decisão do ministro é explícita ao afirmar que “diversas empresas foram utilizadas como instrumento para a prática de crimes financeiros e lavagem de dinheiro”. Segundo o despacho de Mendonça, “essas pessoas jurídicas foram destinadas à prática dos mais variados ilícitos, sendo usadas para formalizar contratos fictícios de consultoria destinados a justificar pagamentos ilícitos.”
Lavagem de dinheiro
Esse tipo de estrutura — também chamada de empresa de fachada ou laranja — é criada para esconder a verdadeira origem do dinheiro por meio da abertura de companhias em nome de terceiros ou de empresas já existentes sem atividade real. O recurso ilícito entra como se fosse resultado de uma prestação de serviço, um contrato de consultoria, uma compra ou obra inexistente. No papel, parece legal. Na realidade, é apenas um mecanismo para transformar dinheiro sujo em dinheiro limpo, ocultando quem são seus verdadeiros beneficiários. Esse método permite a circulação de grandes somas de dinheiro entre empresas de um mesmo grupo, mascarando as manobras contábeis, o que dificulta o rastreamento pelas autoridades.
Defesa
Em nota, a defesa do banqueiro negou as acusações e afirmou que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e colaborou com as investigações.
Fonte: Radioagência Nacional